
Hoje após um dia cansativo de trabalho e diversos problemas para resolver, precisei sentar na frente do meu computador pra escrever sobre o dia de hoje.
Hoje 08 de março de 2007, Dia Internacional da Mulher, mudou pouca coisa desde 1857, quando um grupo de 129 mulheres, que protestavam pelo direito à licença maternidade, à redução da jornada de trabalho e salários iguais aos dos homens, morreram queimadas em uma fábrica têxtil de Nova York (EUA).
Aquilo que chamamos de conquista feminina eu chamo de reivindicação pelo direito de votar, de ter uma profissão, de poder estar com seu filho após o nascimento, pelo direito de igualdade de salário, de jornada de trabalho, de voz social ativa, de exercer cargos políticos ou qualquer outro que se possa realizar de forma digna.
E claro com direitos, chegam os deveres de cumprir de forma competente e honrosa tarefas antes executadas somente pelos homens, afinal, é para isso que tanta luta, tantos movimentos permearam a trajetória feminina na história.
Domingo, véspera do Dia Internacional da Mulher, o jornal "Correio Brasiliense", publicou uma matéria intitulada "Adeus À Ditadura", no caderno "Revista do Correio". E me deparei com uma matéria incomum à data. Sempre leio mensagens como: "mulher delicada e mãe", "mulher bela e sensual", "mulher emoção e amor", etc, etc, etc. Não que eu não concorde, mas acho que essas características nos reduzem a algo que lutamos para não sermos mais, apenas mãe, apenas bonita, apenas sensual, apenas fraternal, apenas amorosas, afinal, somos mulheres, e como todo ser humano, antagônicas, e temos em nós a diversidade que nos tornam muito mais ricas que esses "singelos" adjetivos.
Na matéria duas mulheres escrevem em tom de questionamento que em pleno século XXI ainda somos levadas a cumprir papéis sociais a nós impostos, seja em nome da religião, do mito da purificação do espírito, da promessa de casamento ou da manutenção da dignidade da casta.
Assim como meninas chinesas que tinham os ossos dos pés quebrados e enfaixados para que atrofiassem, jovens de tribo asiática que colocam pesadas argolas no pescoço, cujas argolas chegam a ultrapassar 5kg empurrando a caixa torácica e abaixando os ombros, meninas africanas que têm o clitóris extirpado, milhares de mulheres ocidentais, em nome dos mesmos valores que mutilam e maltratam as chinesas, as asiáticas e as africanas, apesar de épocas, culturas e países diferentes, se submetem a cirurgias e tratamentos estéticos dolorosos para moldar rostos e corpos.
"Historicamente, as mulheres sempre manipulam os corpos em função de padrões de beleza". A pressão é tanta que passamos a acreditar intuitivamente que tais transformações nos tornarão mais felizes, mais aceitas, mais seguras. Com isso, aceitamos também que padronizem nossos cabelos, nossa pele na dita moda do "loiro claríssimo da novela", dos cabelos longos super lisos, da pele morena, resultado do bronzeamento artificial, da barriguinha "tanquinho", que nos lembra uma árdua tarefa doméstica...enfim, num país cuja rica diversidade moldou mulheres negras, amarelas, brancas, de cabelos encaracolados, lisos, crespos, corpos enxutos, generosos, temos de viver correndo atrás de um modelo irreal que nos fora imposto e pior, aceitamos de forma silenciosa e submissa.
O irônico é que essas mesmas regras antigas, tão antigas que foram também impostas àquelas mulheres trabalhadoras em 1857, nunca foram tocadas, questionadas, muito menos aquelas que dizem que toda mulher deve ter filhos, por que veio ao mundo para isso, devem se casar, para não receberem o codinome "titia", o tão temido "titia", talvez por quê nem todas têm o sobrinho lindo que eu tenho (rs).
Mulheres inteligentes, trabalhadoras, reais, verdadeiramente sensuais e amadas não vão nunca admitir mudar seus corpos, seus rostos, suas emoções e personalidades para se enquadrar numa moldura que muda e passa com o tempo.
Às minhas queridas amigas, colegas e conhecidas e as que nunca conheci e nem vou conhecer , com seu rostos angulosos ou finos, com suas peles negras ou brancas, com seus cabelos crespos ou lisos, com seus corpos enxutos ou generosos, com seus filhos ou sem ter nunca parido, com seus maridos ou solteiras, com seus trabalhos dentro ou fora de casa, com seus medos e sua coragem, com seus amores e seus ódios, parabéns, porque hoje, 08 de março de 2007 é o Dia Internacional da Mulher.
Hoje 08 de março de 2007, Dia Internacional da Mulher, mudou pouca coisa desde 1857, quando um grupo de 129 mulheres, que protestavam pelo direito à licença maternidade, à redução da jornada de trabalho e salários iguais aos dos homens, morreram queimadas em uma fábrica têxtil de Nova York (EUA).
Aquilo que chamamos de conquista feminina eu chamo de reivindicação pelo direito de votar, de ter uma profissão, de poder estar com seu filho após o nascimento, pelo direito de igualdade de salário, de jornada de trabalho, de voz social ativa, de exercer cargos políticos ou qualquer outro que se possa realizar de forma digna.
E claro com direitos, chegam os deveres de cumprir de forma competente e honrosa tarefas antes executadas somente pelos homens, afinal, é para isso que tanta luta, tantos movimentos permearam a trajetória feminina na história.
Domingo, véspera do Dia Internacional da Mulher, o jornal "Correio Brasiliense", publicou uma matéria intitulada "Adeus À Ditadura", no caderno "Revista do Correio". E me deparei com uma matéria incomum à data. Sempre leio mensagens como: "mulher delicada e mãe", "mulher bela e sensual", "mulher emoção e amor", etc, etc, etc. Não que eu não concorde, mas acho que essas características nos reduzem a algo que lutamos para não sermos mais, apenas mãe, apenas bonita, apenas sensual, apenas fraternal, apenas amorosas, afinal, somos mulheres, e como todo ser humano, antagônicas, e temos em nós a diversidade que nos tornam muito mais ricas que esses "singelos" adjetivos.
Na matéria duas mulheres escrevem em tom de questionamento que em pleno século XXI ainda somos levadas a cumprir papéis sociais a nós impostos, seja em nome da religião, do mito da purificação do espírito, da promessa de casamento ou da manutenção da dignidade da casta.
Assim como meninas chinesas que tinham os ossos dos pés quebrados e enfaixados para que atrofiassem, jovens de tribo asiática que colocam pesadas argolas no pescoço, cujas argolas chegam a ultrapassar 5kg empurrando a caixa torácica e abaixando os ombros, meninas africanas que têm o clitóris extirpado, milhares de mulheres ocidentais, em nome dos mesmos valores que mutilam e maltratam as chinesas, as asiáticas e as africanas, apesar de épocas, culturas e países diferentes, se submetem a cirurgias e tratamentos estéticos dolorosos para moldar rostos e corpos.
"Historicamente, as mulheres sempre manipulam os corpos em função de padrões de beleza". A pressão é tanta que passamos a acreditar intuitivamente que tais transformações nos tornarão mais felizes, mais aceitas, mais seguras. Com isso, aceitamos também que padronizem nossos cabelos, nossa pele na dita moda do "loiro claríssimo da novela", dos cabelos longos super lisos, da pele morena, resultado do bronzeamento artificial, da barriguinha "tanquinho", que nos lembra uma árdua tarefa doméstica...enfim, num país cuja rica diversidade moldou mulheres negras, amarelas, brancas, de cabelos encaracolados, lisos, crespos, corpos enxutos, generosos, temos de viver correndo atrás de um modelo irreal que nos fora imposto e pior, aceitamos de forma silenciosa e submissa.
O irônico é que essas mesmas regras antigas, tão antigas que foram também impostas àquelas mulheres trabalhadoras em 1857, nunca foram tocadas, questionadas, muito menos aquelas que dizem que toda mulher deve ter filhos, por que veio ao mundo para isso, devem se casar, para não receberem o codinome "titia", o tão temido "titia", talvez por quê nem todas têm o sobrinho lindo que eu tenho (rs).
Mulheres inteligentes, trabalhadoras, reais, verdadeiramente sensuais e amadas não vão nunca admitir mudar seus corpos, seus rostos, suas emoções e personalidades para se enquadrar numa moldura que muda e passa com o tempo.
Às minhas queridas amigas, colegas e conhecidas e as que nunca conheci e nem vou conhecer , com seu rostos angulosos ou finos, com suas peles negras ou brancas, com seus cabelos crespos ou lisos, com seus corpos enxutos ou generosos, com seus filhos ou sem ter nunca parido, com seus maridos ou solteiras, com seus trabalhos dentro ou fora de casa, com seus medos e sua coragem, com seus amores e seus ódios, parabéns, porque hoje, 08 de março de 2007 é o Dia Internacional da Mulher.
A imagem é:
'Abaporu'-1928óleo/tela 85 X 73cmAssin.:"11-1-1928",
aniversário de Oswald de Andrade
de Tarsila do Amaral, uma das mais fortes presenças
femininas na pintura de todos os tempos!
de Tarsila do Amaral, uma das mais fortes presenças
femininas na pintura de todos os tempos!
Em quinta 08 março 2007 14:31
2 comentários:
Parabéns por suas colocações e visão do real valor de ser mulher! Abraços
Você descreveu aqui o sentimento da maioria das mulheres, que muitas vezes não encontram palavras para expressarem o que realmente sentem....
Se "todas" as mulheres tivessem opiniões fortes como as suas,certamente seriamos mais valorizadas, respeitadas...rs
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